O carnaval silencioso da pandemia é o assunto deste longo poema verbo-visual, que retoma a partitura da composição 4'33'', de John Cage. Trata-se de uma biografia de Cage que não fala da sua vida, mas do "cancelamento" que ele buscou e alcançou em sua obra: o silêncio se torna sinônimo de não intenção, e a não intenção sinônimo de “não fazer nada”. Em consonância com essa estratégia de não fazer nada, o biógrafo do poeta e compositor norte-americano se fecha em casa e anota (e desenha) o silêncio e os ruídos de um dia de folia sem folia.
sexta-feira, 1 de julho de 2022
domingo, 26 de junho de 2022
LIVR.OS: UMA EXPOSIÇÃO DE GLIFOS VOCIFERANTES NA GALERIA GRUTA
No dia 3 de junho a galeria Gruta, localizada na Cachoeira do Bom Jesus (Florianópolis), abrigou a exposição Livr.os , que reuniu fragmentos de dois poemas-esculturas: O livr.o da minha ima...gem do mundo e O livr.o da lín...gua materna, essa massa nebulosa, ambos de Sérgio Medeiros. A exposição foi aberta apenas aos pássaros e aos insetos, e durou pouco mais de uma hora. Foi vigorosamente saudada por um gavião solitário, que sobrevoou as obras espalhadas no ar e no chão dando um grito impressionante. A Gruta é pequena e abriga permanentemente um ícone/ídolo de barro. Por falta de espaço, a exposição ocorreu diante dela, ao ar livre. Concluída a exposição, acenderam-se velas para o barro.
sábado, 7 de maio de 2022
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022
"O Espelho de Huarochiri" (2022) e "Veritotem" (2022)
O
eclipse solar, tema deste poema verbo-visual que fala de destruição e recriação,
envolve batalhas religiosas e estéticas que são travadas em séculos distintos.
No século XVII, Don Cristóbal, um
sacerdote andino convertido ao cristianismo, se sente perseguido por um círculo
branco, o Sol da meia-noite, que não se rendeu ao poder da cruz, a qual está inscrita
na própria página branca do poema.
Muito depois, no século XX, o Sol do
meio-dia é recoberto na Rússia pela cruz do quadrado negro, cujas lados irregulares
sofrem convulsões e dão origem ao quadrado branco e ao círculo invisível da
arte e da religião desmaterializadas, como testemunha o manifesto de 1923, “O
espelho suprematista”, de Kazimir Malévitch.
No poema, os dois momentos históricos são “contemporâneos” graças à ação de um simples clipe (versão irônica do prego sagrado), que é capaz de uni-los na folha em branco, na qual convivem círculos e quadrados andinos e russos.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2021
A Visual Finnegans Wake on the Island of Breasil
Ambientada na lendária Hy Brazil (ou Island of Breasil) dos mapas medievais, esta versão poética do último romance (ou poema-romance) de Joyce percorre sonhadoramente uma a uma as páginas de Finnegans Wake, escrito num inglês delirante que se espraia por múltiplas línguas (o idioma de Joyce é o verdadeiro marinheiro dessa obra sobre viagens). Medeiros, que é poeta e artista visual, busca extrair das páginas oníricas de Joyce os códices hieroglíficos que remontam às origens da escrita: o alfabeto das árvores do irlandês antigo, os petróglifos milenares de diferentes culturas, as figuras arquetípicas dos manuscritos mais secretos... Porém, esses coloridos glifos que Medeiros descobre e/ou reinventa anunciam também as novas escritas que ainda vão emergir da massa nebulosa (expressão de Wittgenstein) que é a “língua materna” mundial.
Set in the legendary Hy Brazil (or Island of Breasil) of medieval maps, this poetic version of Joyce's latest novel (or novel-poem) dreamily scrolls through the pages of Finnegans Wake, written in a frantic English that spreads across multiple languages. (Joyce's language is the true sailor of this work on travel). Medeiros, who is a poet and visual artist, seeks to extract from Joyce's dreamlike pages the hieroglyphic codices that go back to the origins of writing: the ancient Irish tree alphabet, the ancient petroglyphs of different cultures, the archetypal figures of the most secret manuscripts. However, these colorful glyphs that Medeiros discovers and/or reinvents also announce the new writings that are yet to emerge from the nebulous mass (Wittgenstein's expression) that is the world's “mother tongue”.

